Mais de 560 aprovados em concurso do Degase aguardam nomeação no RJ; falta de efetivo limita vagas para adolescentes infratores
Mais de 560 aprovados em concurso do Degase aguardam nomeação no RJ Mais de 560 candidatos aprovados em um concurso público para o Departamento Geral de AçÃ...
Mais de 560 aprovados em concurso do Degase aguardam nomeação no RJ Mais de 560 candidatos aprovados em um concurso público para o Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase) aguardam nomeação no Rio de Janeiro. Enquanto isso, a falta de servidores limita a capacidade de atendimento de unidades do sistema socioeducativo, e mais de 600 adolescentes esperam por vagas para internação provisória ou definitiva no estado. Em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, uma unidade de internação ficou pronta em fevereiro, após investimento de mais de R$ 9 milhões. O espaço tem capacidade para receber 40 adolescentes que cometeram atos infracionais, mas atende apenas 20, segundo as informações apresentadas na reportagem. A falta de servidores é apontada como motivo para o funcionamento com capacidade reduzida. Na outra ponta, candidatos aprovados para vagas imediatas em diferentes funções do sistema socioeducativo, como agentes de segurança, assistentes sociais e psicólogos, esperam ser convocados para assumir os cargos. “A gente colocou tudo do nosso bolso, investiu, acreditou no sonho, passamos no concurso e não temos nosso direito respeitado”, afirmou Luiz Guimarães, advogado e um dos aprovados. Mais de 560 aprovados em concurso do Degase aguardam nomeação no RJ Reprodução/TV Globo Aprovados dizem que já cumpriram etapas do concurso Mais de 560 candidatos foram aprovados para vagas imediatas no concurso do Degase. Segundo representantes do grupo, o resultado foi homologado em junho, e os candidatos já passaram pelo curso de formação, pela perícia médica e pela entrega dos documentos exigidos para a contratação. Luiz Guimarães afirma que os candidatos concluíram o curso de formação em março, mas ainda não foram nomeados. “Fizemos o curso de formação em março, ou seja, há sete meses, com promessa de nomeação, porque são vagas imediatas para o sistema socioeducativo, que está entrando em colapso”, disse. Ele conta que teve gastos para participar das etapas do processo seletivo. Morador de São Gonçalo, afirma ter desembolsado quase R$ 1 mil apenas com deslocamento para o curso, além das despesas com exames médicos. ✅ Siga o canal de notícias do g1 Rio no WhatsApp O advogado Jorge Coutinho, que também representa aprovados, afirma que parte dos candidatos deixou empregos anteriores na expectativa de assumir os cargos. “Uma maioria saiu de algum emprego, contando que a nomeação sairia rápido. Nós somos vagas imediatas, não somos cadastro reserva. Então, é a proporção que o Estado precisa para atender à demanda do Degase”, afirmou. Unidades dependem de novos profissionais O estado do Rio tem 12 unidades de internação para adolescentes que cometeram atos infracionais e outras 13 unidades de semiliberdade, nas quais os jovens podem realizar atividades externas, conforme as regras da medida aplicada. Além da unidade de São Gonçalo, as instalações de Bangu, na Zona Oeste do Rio, e de Cabo Frio, na Região dos Lagos, estão em fase final de obras. A abertura, porém, também depende da entrada de novos profissionais. LEIA TAMBÉM: Falta de vagas no Degase deixa cerca de 600 adolescentes infratores à espera de internação no RJ A falta de efetivo é um dos desafios para ampliar o atendimento do sistema socioeducativo. Desde 2021, a Central de Vagas organiza o ingresso de adolescentes nas unidades de acordo com a disponibilidade de vagas e critérios de prioridade, que consideram a gravidade do ato infracional. Mais de 600 adolescentes aguardam vagas Cerca de 600 adolescentes aguardam uma vaga: aproximadamente 200 para internação definitiva e outros 400 para internação provisória. O promotor de Justiça Afonso Henrique Lemos afirma que a falta de vagas pode fazer com que adolescentes acusados de atos graves aguardem em liberdade. “Basicamente, hoje, um adolescente que pratica roubo com arma de fogo não tem uma intervenção socioeducativa imediata. Ele simplesmente acaba sendo liberado para aguardar essa vaga em liberdade”, disse. Centro de Socioeducação Dom Bosco, na Ilha do Governador, é a maior unidade de internação do Degase-RJ Reprodução/TV Globo Para o promotor, a nomeação dos novos profissionais é urgente para ampliar a capacidade de atendimento e permitir a abertura de novas unidades. “É imprescindível e é emergencial que os novos agentes socioeducativos sejam empossados e possam iniciar o exercício das suas funções, porque, sem esses novos agentes, as novas unidades não podem ser inauguradas”, afirmou. Aprovados dizem não ter previsão de nomeação Os candidatos afirmam que ainda não receberam uma resposta concreta sobre quando serão convocados. Jorge Coutinho diz que o grupo acompanha a aproximação da transição de governo sem saber quando poderá começar a trabalhar. “A gente está agora nessa expectativa do ano virar, na transição do governo. A gente está no escuro, sem ter uma resposta do governo do estado”, declarou. Procurado, o Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase) informou que a nomeação dos candidatos aprovados em concurso é tratada como prioridade e que trabalha continuamente para viabilizar as etapas necessárias ao processo. O órgão, no entanto, não explicou o motivo do atraso nas nomeações. O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro informou que a espera por vagas no sistema socioeducativo é resultado da falta de unidades para atender à demanda. O tribunal também afirmou que prevê a adoção de novas regras para aprimorar a atualização da lista de espera por internações provisórias.